AS MULHERES DE PERRY MASON

A excelente série da HBO, recriando o famosíssimo criminalista PERRY MASON, dos livros de Erle Stanley Gardner, vem confirmando a excelência das produções que a HOME BOX OFFICE vem fazendo nos últimos anos, títulos como BIG LITTLE LIES, TRUE DETECTIVE e SHARP OBJECTS, apenas para citar alguns,

A primeira aventura do PI que vira advogado de um intricado caso de infanticídio, em meio a suicídios, sequestros, corrupção policial, fanatismo religioso e crise econômica chegou esta semana ao quinto dos oito capítulos e já inicia a deixar aquele gostinho de “quero mais”.

Um dos aspectos mais fascinantes deste PERRY MASON 2020 são suas personagens femininas. Embora passado em Los Angeles, no ano de 1932, a história se esteia muito nas mulheres, as personagens mais fortes e impressionantes da trama.

Della Street, a eterna secretária e faz tudo do escritório de advocacia onde Mason trabalha é um trabalho impressionante da atriz britânica Juliette Rylance. Vista em THE KNICK e FRANCIS HA, Juliette compõe exatamente a Della Street que Gardner concebeu em seus livros, com algumas modernizações surpreendentes e ainda mais interessantes. As iniciativas dela no caos em que vivem Mason e o advogado E.B. (John Lithgow maravilhoso) são nada menos que essenciais para dar andamento ao trabalho e chegar à solução do caso. Como o tema envolve várias formas de abuso contra mulheres, Della vai assumindo protagonismo e importância a cada passo da história. Forte, decidida, temperamental, sensual, inteligente e decisiva, a Della Street deste PERRY MASON se destaca como uma personagem que vai ficar na lembrança.

A Sister Alice McKeegan, uma espécie de líder religiosa de uma Igreja com milhares de súditos fieis que se reunem para cantar, dar dinheiro e ouvi-la em sermões de caráter religioso, político e populista, é mais um trabalho de primeira linha da atriz canadense Tatiana Maslany. Ela ficou mundialmente conhecida pelo Tour de Force que faz em ORPHAN BLACK, a série de ficção da BBC , onde vive uma dúzia de clones da personagem Sarah Manning, oportunidade única de viver uma série de mulheres diferentes física e emocionalmente, em um único trabalho. Sister McKeegan igualmente cresce episódio a episódio na produção atual da HBO. Vai ser peça chave no caso que Mason atua.

Finalmente, em um papel mais discreto – porém não menos importante – a atriz americana Gretchen Moll (CHANCE, OS INDOMÁVEIS e BOARDWALK EMPIRE) faz a ex-esposa de PERRY MASON (e mãe de seu filho), Linda. Como é usual para as ex-esposas do cinema, Linda passa o tempo inteiro cobrando de Mason, cheques da pensão atrasada, mais presença junto ao filho que o idolatra, excesso de bebida, mulheres de fama duvidosa e outras questões. Mas faz tudo com uma afetividade com o ex-amor, tocante e relevante. Cada olhar de decepção ou pena dirigida a Mason tem também um incentivo para que dê uma virada na vida e volte a ser o homem por quem ela se apaixonou.

Há mais personagens femininas muito relevantes em PERRY MASON. Mas estas três me impressionam muito. Elas estão muito à frente dos homens em sensibilidade, antevisão dos problemas, soluções e busca de igualdades, consenso e inclusões, superando preconceitos, vaidades e egolatrias. Em PERRY MASON, como na vida real, o mundo é cada vez mais das mulheres.

The excellent HBO series, recreating the famous criminalist PERRY MASON, from the books by Erle Stanley Gardner, has been confirming the excellence of the productions that HOME BOX OFFICE has been making in recent years, titles such as BIG LITTLE LIES, TRUE DETECTIVE and SHARP OBJECTS, just to name a few,

The first adventure of the P.I. that became a lawyer for an intricate case of infanticide, in the midst of suicides, kidnappings, police corruption, religious fanaticism, war traumas and economic crisis, reached this week the fifth of the eight chapters and already starts to leave that taste of ” I want more”.

One of the most fascinating aspects of this PERRY MASON 2020 is its female characters. Although set in Los Angeles in 1932, the story is very much about women, the strongest and most impressive characters in the plot.

Della Street, the eternal and do-it-all secretary at the law firm where Mason works is an impressive work by British actress Juliette Rylance. Seen in THE KNICK and FRANCIS HA, Juliette composes exactly the Della Street that Gardner conceived in his books, with some surprising and even more interesting modernizations. Her initiatives in the chaos in which Mason and lawyer E.B. (wonderful John Lithgow) live are nothing short of essential to get the job going and get the case resolved. As the theme involves various forms of abuse against women, Della takes on a leading role and importance at every step of history. Strong, decisive, temperamental, sensual, intelligent and sensible, the Della Street of this PERRY MASON stands out as a character that will be remembered.

Sister Alice McKeegan, a kind of religious leader of a Church with thousands of faithful people who come together to sing, give money and listen to her in sermons of a religious, political and populist character, is another first-rate job. Canadian actress Tatiana Maslany do it in a brilliant way. She became known worldwide for the Tour de Force she does in ORPHAN BLACK, the BBC fiction series, where a dozen clones of the character Sarah Manning live, a unique opportunity the actress made a series of different women physically and emotionally, in a single job. Sister McKeegan also grows episode by episode in current HBO production. She will be key in the case that Mason acts.

Finally, in a more discreet – but not less important – role, American actress Gretchen Moll (CHANCE, 3:10 TO YUMA and BOARDWALK EMPIRE) plays PERRY MASON’s ex-wife (and mother of his son), Linda. As is customary for ex-wives in the cinema, Linda spends all the time charging Mason for late checks, more presence with his son than the idolater him, excessive drinking, women of dubious fame and other issues. But she does everything with an affection for his ex-love, touching and relevant. Each look of disappointment or pity directed at Mason also has an incentive for him to turn his life around and be the man she fell in love with again.

There are more female characters that are very relevant in PERRY MASON. But these three impress me a lot. They are far ahead of men in sensitivity, foreseeing problems, solutions and the search for equality, consensus and inclusions, overcoming prejudices, vanities and egolatry. In PERRY MASON, as in real life, the world is increasingly of women.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.