PARIS: Belíssimo Filme Sobre a Cidade, Seus Habitantes, Paixões e Dramas

O serviço de streaming MUBI ontem me enviou um e-mail avisando que entrava em cartaz o filme PARIS, obra que o cineasta francês Cédric Kaplish fez em 2008, reunindo um time de atores incrível para homenagear a Cidade Luz.

Melanie Laurent, Juliette Binoche, Fabrice Luchini, Romain Duris, François Cluzet e Arthur Dujardin compõem uma série de personagens que desfilam seus dramas, fracassos, paixões, amizades, em quatro ou cinco histórias em Paris, enquanto a câmera afetuosa de Kaplisch vai mostrando hábitos, lugares e costumes da cidade e seus moradores.

Um jovem ex-dançarino tem uma doença cardíaca grave diagnosticada e fica na fila para um transplante de coração. Chama a irmã e seus três filhos para morar com ele enquanto aguarda o dia da operação. Um professor de história veterano e solitário se apaixona por uma jovem aluna e começa a enviar mensagens de amor anônimas para ela, sem coragem de se aproximar. Um família de feirantes mescla o trabalho diário duro e exaustivo com romances e brigas do dia a dia. Um arquiteto de sucesso acha sua vida incompleta enquanto não tiver filhos. Um imigrante africano tenta chegar com o refugiado a Paris, que conhece por fotografias, a camisa da seleção francesa e referências de seus alunos de natação.

Em resumo, PARIS compõe um belo mosaico de pessoas integradas e mais ou menos felizes, numa cidade cosmopolita, deslumbrantemente linda (há ângulos da Torre Eiffel e de monumentos célebres de Paris, mostrados pela primeira vez no cinema, que abriga (ou não) seus dramas e aspirações.

O roteiro escrito pelo próprio Kaplisch é inspirado em tantos filmes que fazem da cidade onde se desenvolve a história um personagem fundamental da trama. Como já foi inúmeras vezes feito com Nova Iorque ou Los angeles ou Roma, ou Londres, PARIS tem a cidade com um de seus protagonistas.

Kaplisch tinha mostrado muito talento e sensibilidade em ALBERGUE ESPANHOL e BONECAS RUSSAS justamente por fazer este tipo de painel múltiplo com histórias que se cruzam, algo tipo o que Iñarritu faz magistralmente em BABEL e 21 GRAMAS ou Paul Haggis acertou na mosca em CRASH. Mas aqui no filme PARIS, o cinema de Kaplisch mostra ainda mais maturidade e sensibilidade, criando imagens, histórias e cenas verdadeiramente líricas e poéticas, como a que o tio sai na sacada para mostrar aos sobrinhos a chegada de Papai Noel na véspera de Natal.

Tenho gostado muito de filmes franceses recentes. Acho que cineastas, roteiristas e sobretudo uma excelente geração de atores estão renovando temas (com uma visão mais moderna e social na melhor acepção do termo), visões e histórias que recolocam a cinematografia da Nouvelle Vague em alto nível outra vez. PARIS vai neste sentido.

The streaming service MUBI yesterday sent me an e-mail saying that the movie PARIS, a work that French filmmaker Cédric Kaplish made in 2008, bringing together an incredible team of actors and actresses to honor the City Light.

Melanie Laurent, Juliette Binoche, Fabrice Luchini, Romain Duris, François Cluzet and Arthur Dujardin compose a series of characters that parade their dramas, failures, passions, friendships, in four or five stories in Paris, while Kaplisch’s affectionate camera shows habits , places and customs of the city and its residents.

A young ex-dancer has diagnosed a severe heart disease and stands in line for a heart transplant. He calls his sister and her three children to live with him while he waits for the day. A veteran and lonely history teacher falls in love with a young student and begins to send anonymous love messages to her, without the courage to approach. A family of market traders mixes hard and exhausting daily work with romances and day-to-day fights. A successful architect finds his life incomplete until he has children. An African immigrant tries to arrive with the refugee in Paris, city he only knows through photographs, the shirt of the French soccer team and references of his swimming students.

In summary, PARIS composes a beautiful mosaic of integrated and more or less happy people, in a cosmopolitan city, stunningly beautiful (there are angles of the Eiffel Tower and famous monuments of Paris, shown for the first time in the cinema), which houses (or not) their dramas and aspirations.

The script written by Kaplisch himself is inspired by so many films that make the city where the story develops a fundamental character in the plot. As has been done countless times with New York or Los Angeles or Rome or London, PARIS has the city with one of its protagonists.

Kaplisch had shown a lot of talent and sensitivity in AUBERGUE ESPAGNOLE and LES POUPÉES RUSSES precisely for making this type of multiple panel with stories that intersect, something like what Iñarritu does masterfully in BABEL and 21 GRAMS or Paul Haggis hit the bull’s eye in CRASH. But here in the movie PARIS, Kaplisch’s cinema shows even more maturity and sensitivity, creating truly lyrical and poetic images, stories and scenes, like the one that the uncle goes out on the balcony to show his nephews the arrival of Santa Claus on Christmas Eve.

I have been very fond of recent French films. I think that filmmakers, screenwriters and, above all, an excellent generation of actors are renewing themes (with a more modern and social view in the best sense of the term), visions and stories that put Nouvelle Vague country cinematography at a high level again. PARIS goes in this direction.

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