A DESCOBERTA DA COREIA DO SUL NA PANDEMIA

O CONVIDADO DE HOJE DO CINEMARCO É O JORNALISTA LUIZ ADOLFO LINO DE SOUZA.

Viajei quatro vezes a Seul durante a pandemia.

Foram viagens minuciosas, com tempo para observar as grandes avenidas, as ruazinhas laterais, estreitas e sem calçadas, e contar mais de 20 pontes. É uma metrópole de aproximadamente 10 milhões de habitantes e o Rio Han, em forma de um “W”, divide a cidade em duas partes. Por isso, as pontes de Seul são fundamentais e impressionam pela iluminação.

O cinema patrocinou minha primeira viagem a Coreia do Sul em março. Colaborou para atiçar a curiosidade, também, a história que o ator Lee Sung-min protagoniza ao ser testemunha de um crime da sacada de seu apartamento de condomínio recém-comprado, no filme A Testemunha, no catálogo da Netflix. Ter presenciado um crime, na frente do novo apartamento, desabona o proprietário e desvaloriza o prédio.

Chega-se lá por uma daquelas pontes, a Gangdong-daero, que dá acesso ao Parque Olímpico de 1988. Ao lado estão os bairros de Bangi-dong 1 e 2, bairros residenciais com 10 ou mais prédios em uma quadra, com torres de 35 a 40 andares.

A cidade tem, ainda, um sobe e desce de ladeiras que dispensa até a visita ao bairro Gangnam, propaganda do K-pop. Visitei o sofisticado bairro de Noryangjin. Nesta região da cidade, em Parasita, o sucesso dirigido por Bong Joon-ho, é mostrada a disparidade extrema entre duas famílias: os endinheirados Park e os pobres Kim. Em contraposição ao rico Noryangjin, o filme coreano oscarizado nos mostrou os porões, chamados de banjihas, herança da guerra das Coreias e depois amparo para pobres na escassez imobiliária dos anos 80. Vem destes porões o cheiro mencionado no filme de Bong Joon-ho.

E uma viagem a Seul puxa a outra. A periferia do sobe e desce da metrópole está em The Chase, de 2017, filme de Kim Hongsun, também na Netflix. Um suspense com serial killer, onde um idoso, proprietário de vários imóveis da periferia, se une a um ex-detetive para resolver crimes antigos. Foi inspiração para percorrer a zona da cidade que mescla a Azenha com a Assis Brasil. Seul é aqui.

E a mais recente viagem a Seul foi em Um dia difícil. As estradas que ligam a cidade à região metropolitana e a periferia, incluindo o cerimonial de um funeral, mostram os costumes de um país ao espectador curioso. No filme de 2014, vemos o ator Lee Sun-Kyun, o patrão de Parasita de 2020. A visibilidade de Parasita à produção coreana reforçou o cinema como veiculo para as pessoas alcançarem lugares alternativos ou os clássicos de sempre.

Com a limitação do distanciamento social durante a pandemia, a ajuda do Google Earth se tornou um complemento – e um paliativo – para turistas confinados.

CINEMARCO’S GUEST TODAY IS JOURNALIST LUIZ ADOLFO LINO DE SOUZA.

I traveled to Seoul four times during the pandemic.

They were meticulous trips, with time to observe the great avenues, the side streets, narrow and without sidewalks, and count more than 20 bridges. It is a metropolis of approximately 10 million inhabitants and the Han River, in the shape of a “W”, divides the city into two parts. For this reason, Seoul’s bridges are essential and impress with their lighting.

The cinema sponsored my first trip to South Korea in March. It also helped to arouse curiosity, too, the story that actor Lee Sung-min stars in witnessing a crime from the balcony of his newly purchased condo apartment, in the film The Witness, in the Netflix catalog. Having witnessed a crime, in front of the new apartment, disgraces the owner and devalues ​​the building.

You get there by one of those bridges, the Gangdong-daero, which gives access to the 1988 Olympic Park. Next to it are the neighborhoods of Bangi-dong 1 and 2, residential neighborhoods with 10 or more buildings in one block, with towers from 35 to 40 floors.

The city also has an uphill and downhill slope that does not require a visit to the Gangnam neighborhood, K-pop propaganda. I visited the sophisticated neighborhood of Noryangjin. In this region of the city, in Parasite the success directed by Bong Joon-ho, the extreme disparity between two families is shown: the wealthy Park and the poor Kim. In contrast to the wealthy Noryangjin, the oscarized Korean film showed us the cellars, called banjihas, inherited from the Korean war and then sheltered for the poor in the 1980s real estate scarcity. The smell mentioned in the film by Bong Joon-ho comes from these cellars.

And one trip to Seoul leads to another. The outskirts of the metropolis rise and fall is in 2017’s The Chase, a film by Kim Hongsun, also on Netflix. A serial killer thriller, where an elderly man, owner of several properties in the periphery, joins an ex-detective to solve old crimes. It was inspiration to tour the area of ​​the city that mixes Azenha with Assis Brasil. Seoul is here.

And the most recent trip to Seoul was on A tough day. The roads that connect the city to the metropolitan region and the periphery, including a funeral ceremony, show a country’s customs to the curious spectator. In the 2014 film, we see actor Lee Sun-Kyun, the boss of Parasite in 2020. Parasite’s visibility to Korean production reinforced cinema as a vehicle for people to reach alternative places or the usual classics.

With the limitation of social distance during the pandemic, Google Earth’s help has become a complement – and a palliative – for confined tourists.

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