FURYO – EM NOME DA HONRA: Nagisa Oshima em Mais um Filme Extraordinário

Campos de prisioneiros são um tema que gerou grandes filmes: INFERNO 17, de Billy Wilder, A PONTE DO RIO KWAI, de David Lean e FUGINDO DO INFERNO, de John Sturges são apenas três ilustres exemplos. Acho que aquela situação extrema de desumanidade e o choque entre valores, personalidades e as normas militares sempre foram um prato cheio para cineastas talentosos e roteiristas criativos.

Pessoalmente, um dos meus preferidos é FURYO – EM NOME DA HONRA (MERRY CHRISTMAS MR. LAWRENCE), que o mestre do cinema japonês Nagisa Oshima fez em 1983, a partir de um romance do escritor sul africano Laurens van der Post, narrando a presença de prisioneiros britânicos em um campo japonês e os confrontos entre o comandante nipônico e os oficiais ingleses mais graduados. esta semana, EM NOME DA HONRA passou a estar disponível no BELAS ARTES A LA CARTE.

FURYO é um filme impressionante por várias razões. O cineasta Nagisa Oshima (morto aos 80 anos, em 2013) um dos expoentes do movimento “Nuberu bagu” (New Wave) do cinema japonês nas décadas de 50 e 60, fez em sua carreira 42 filmes. O mais famoso, talvez por motivos equívocos é o excepcional drama O IMPÉRIO DOS SENTIDOS, o primeiro filme classe A a mostrar sexo explícito. Escândalo mundial, THE EMPIRE OF SENSES é, analisado com distanciamento, uma obra prima do cinema. Mas o mestre Oshima ainda fez O IMPÉRIO DA PAIXÃO (um dos filmes com fotografia mais bela que já vi), O GAROTO TOSHIO e TABU.

Com música (inspiradíssima) de Ryuchi Sakamoto, direção de arte de Andrew Sanders, fotografia de Tôichirô Narushima e montagem de Tomoyo Oshima (premiada atriz, montadora e diretora japonesa), FURYO visualmente é uma obra de arte. Suas imagens impecáveis, além de deixar o espectador sem fôlego, contribuem exponencialmente para um drama poderoso contado por Oshima.

David Bowie (extraordinário) como Jack Selliers, Tom Conti como o tradutor Tenente Coronel John Lawrence, Ryuchi Sakamoto (incrível) como o Capitão Yonoi, o legendário e premiadíssimo ator japonês Takeshi Kitano, como Hara e Jack Thompson como Hicksley fazem um elenco nada menos que superlativo.

Honra, vergonha, humiliação, disciplina, covardia, enfrentamento, princípios, coragem, admiração, fascínio são os elementos da história que Oshima trabalha com maestria, criando personagens, diálogos e cenas memoráveis.

A mítica crítica de cinema do THE NEW YORK TIMES, Janet Masslin, escreveu sobre FURYO:

“DAVID BOWIE interpreta um líder nato em “Merry Christmas Mr. Lawrence”, de Nagisa Oshima, e o interpreta como uma estrela de cinema nata. A presença da tela do Sr. Bowie aqui é mercurial e atrativa, e ele parece chegar a isso sem esforço, embora consiga fazer algo astuciosamente diferente em cada cena. As demandas de seu papel às vezes podem ser improváveis e elaboradas, mas o Sr. Bowie as atende de uma maneira notavelmente clara e direta. Pouco mais no filme é tão definido ou claro. …” Feliz Natal, Sr. Lawrence ” pode ser brutal e franco, não apenas em suas cenas de hara-kiri (existem várias), mas em sua execução ocasionalmente interrompida. O roteiro, de Oshima e Paul Mayersberg, tem uma qualidade curiosamente deslocada. Embora seja baseado em um romance (“The Seed and the Sower”) de Laurens van der Post, o filme parece quase mais japonês em suas sequências na Nova Zelândia do que no campo de prisioneiros.”

Na melhor tradição de seus antecessores ilustres, FURYO enfoca o tema do campo de prisioneiros com a dramaticidade, excelência e grandeza que os heróis merecem. Trata-se de um filme extraordinário.

Prison camps are a theme that has spawned great films: STALAG 17, by Billy Wilder, THE BRIDGE ON THE KWAI RIVER, by David Lean and THE GREAT ESCAPE, by John Sturges are just three illustrious examples. I think that extreme situation of inhumanity and the clash between values, personalities and military norms has always been a big deal for talented filmmakers and creative screenwriters.

Personally, one of my favorites is FURYO (MERRY CHRISTMAS MR. LAWRENCE), which Japanese film master Nagisa Oshima made in 1983, from a novel by South African writer Laurens van der Post, narrating the presence of British prisoners in a Japanese camp and the clashes between the Japanese commander and the most senior English officers. This week, FURYO became available at BELAS ARTES A LA CARTE.

FURYO is an impressive film for several reasons. Filmmaker Nagisa Oshima (died at the age of 80 in 2013), one of the exponents of the “Nuberu bagu” (New Wave) movement in Japanese cinema in the 50s and 60s, made 42 films in his career. The most famous, perhaps for mistaken reasons, is the exceptional drama IN THE REALM OF THE SENSES (AI NO KORIDA), the first class A movie to show explicit sex. A worldwide scandal, AI NO KORIDA is, analyzed from a distance, a masterpiece of cinema. But the master Oshima still made THE EMPIRE OF PASSION (one of the most beautiful films I have ever seen), THE BOY TOSHIO and TABU.

With music (very inspired) by Ryuchi Sakamoto, art direction by Andrew Sanders, photography by Tôichirô Narushima and editing by Tomoyo Oshima (award-winning Japanese actress, editor and director), FURYO is visually a work of art. Its impeccable images, in addition to leaving the viewer breathless, contribute exponentially to a powerful drama told by Oshima.

David Bowie (extraordinary) as Jack Selliers, Tom Conti as translator Lieutenant Colonel John Lawrence, Ryuchi Sakamoto (incredible) as Captain Yonoi, the legendary and award-winning Japanese actor Takeshi Kitano, as Hara and Jack Thompson as Hicksley do cast nothing short of superlative.

Honor, shame, humiliation, discipline, cowardice, confrontation, principles, courage, admiration, fascination, love and violence are the elements of the story that Oshima works with mastery, creating memorable characters, dialogues and scenes.

THE NEW YORK TIMES ‘mythical film critic, Janet Masslin, wrote about FURYO:

“DAVID BOWIE plays a born leader in Nagisa Oshima’s ”Merry Christmas Mr. Lawrence,” and he plays him like a born film star. Mr. Bowie’s screen presence here is mercurial and arresting, and he seems to arrive at this effortlessly, though he manages to do something slyly different in every scene. The demands of his role may sometimes be improbable and elaborate, but Mr. Bowie fills them in a remarkably plain and direct way. Little else in the film is so unaffected or clear….
”Merry Christmas Mr. Lawrence” can be brutal and blunt, not just in its scenes of hara-kiri (there are several of these) but in its occasionally stilted execution. The screenplay, by Mr. Oshima and Paul Mayersberg, has a curiously dislocated quality. Though it’s based on a novel (”The Seed and the Sower”) by Laurens van der Post, the film seems almost more Japanese in its New Zealand sequences than it does in the prison camp.

In the best tradition of its illustrious predecessors, FURYO focuses on the prison camp theme with the drama, excellence and grandeur that heroes deserve. This is an extraordinary film.

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