PERRY MASON: Série da HBO Encerra Primeira Temporada em Altíssimo Nível.

Terminou a primeira temporada de PERRY MASON, na HBO. Anunciada com pompa e circunstância, PERRY MASON tinha, entre os vários desafios, respeitar a herança de uma das séries mais idolatradas de todos os tempos, o PERRY MASON de Raymond Burr, que esteve no ar por 9 temporadas.

A produção atual se saiu muito bem. A história – para lá de noir – do sequestro e morte de um bebê na Los Angeles da década de 50 que leva o advogado criminalista Elias E.B. Brichard Jonathan (excepcional interpretação de John Lithgow) a defender primeiro o pai da criança e depois a mãe. Em meio a tudo isto, corrupção policial, cultos religiosos milagreiros, adultérios, imprensa sensacionalista e promessas de milagres.

O ator galês Matthew Rhyss fez um Perry Mason extraordinário. Seu misto de inteligência, indignação e trauma pela guerra lhe proporcionou um personagem riquíssimo que foi crescendo muito durante os oito capítulos. A passagem de detetive para advogado foi uma das sacadas da série.

Mas acho que o maior achado deste PERRY MASON 2020 são as personagens femininas. Em primeiríssimo lugar a Della Street de Juliet Rylance, uma mulher sofrida, forte, lutadora, disposta a tudo para ser reconhecida em um mundo masculino e machista. Os segredos de Della Street, seus sofrimentos e mágoas, seus projetos de vida, sua fidelidade aos amigos foram o destaque maior da série. Se nos ótimos livros do escritor Erle Stanley Gardner, Della Street já era uma personagem essencial, aqui na série ela foi ainda mais.

A missionária milagreira Sister Alice McKeegan vivida pela atriz Tatiana Maslany foi outro ponto alto da série. Ela foi a força vital de um dos temas chave da história: o messianismo buscado por grande parte da população desesperada com a pobreza pós guerra. Maslany teve muitas cenas espetaculares. Galgou alguns degraus em sua carreira.

Outro trabalho extraordinário foi do ator Cris Chalk, como Paul Drake, um simples guarda de rua negro que descobre uma pista essencial da trama e se recusa – sob todos os riscos – a compactuar com a rede poderosa de corrupção policial que explicitamente ameaça a ele e à esposa grávida. Paul Drake – o detetive do escritório de Perry Mason – é um exemplar personagem com os princípios morais de Mason e sua turma.

Costumo dizer que quando a HBO acerta a mão em uma série, coisas excepcionais são criadas: TRUE DETECTIVE, BIG LITTLE LIES, SHARP OBJECTS, THE OUTLANDER são apenas alguns exemplos. PERRY MASON, com estrelinha, se inscreve nesta lista. É filme policial noir de altíssimo nível.

The first season of PERRY MASON has ended on HBO. Announced with pomp and circumstance, PERRY MASON had, among the various challenges, to respect the heritage of one of the most idolized series of all time, PERRY MASON with Raymond Burr, which was on the air for 9 seasons.

Current production has done very well. The story – beyond noir – of the kidnapping and death of a baby in 1950s Los Angeles that leads criminal lawyer Elias E.B. Brichard Jonathan (exceptional interpretation by John Lithgow) to defend the child’s father first and then the mother. In the midst of all this, police corruption, miracle religious cults, adultery, sensationalist press and promises of miracles.

Welsh actor Matthew Rhyss made an extraordinary Perry Mason. His mixture of intelligence, indignation and trauma by the war gave him a very rich character that grew a lot during the eight chapters. The move from detective to lawyer was one of the highlights of the series.

But I think the biggest find of this PERRY MASON 2020 is the female characters. First and foremost Juliet Rylance‘s Della Street, a suffering, strong, fighting woman, willing to do anything to be recognized in a masculine and sexist world. The secrets of Della Street, its sufferings and sorrows, its life projects, its loyalty to friends were the biggest highlight of the series. If in the great books of the writer Erle Stanley Gardner, Della Street was already an essential character, here in the series she was even more.

Miracle missionary Sister Alice McKeegan played by actress Tatiana Maslany was another highlight of the series. It was the lifeblood of one of the key themes in history: the messianism sought by a large part of the population desperate with post-war poverty. Maslany had many spectacular scenes. He climbed some steps in his career.

Another extraordinary work was that of actor Cris Chalk, like Paul Drake, a simple black street guard who discovers an essential clue to the plot and refuses – at all risk – to comply with the powerful network of police corruption that explicitly threatens him and his pregnant wife. Paul Drake – the detective in Perry Mason’s office – is an exemplary character with the moral principles of Mason and his gang.

I often say that when HBO gets his hand in a series, exceptional things are created: TRUE DETECTIVE, BIG LITTLE LIES, SHARP OBJECTS, THE OUTLANDER are just a few. PERRY MASON, with star, subscribes to this list. It is a high-level noir detective film.

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