Cinema: uma arte que envolve o esforço coletivo de muitos talentos

O CONVIDADO DE HOJE DO CINEMARCO É O CINÉFILO E PROFESSOR UNIVERSITÁRIO MARCO AURÉLIO MORSCH.

Costumo provocar uma discussão que pode ser acadêmica, mas normalmente gera uma boa conversa: quem é o autor de um filme, afinal?

Antes de responder a pergunta, vamos refletir sobre quem está por trás do desenvolvimento, feitura e acabamento deste produto artístico chamado “filme” que envolve um processo de três fases – pré-produção, produção e pós-produção, mobiliza até centenas de profissionais e pode durar muitos meses.

As categorias de um filme

Uma obra cinematográfica para ser feita, diferentemente de pintura, escultura ou literatura, é uma arte que envolve diversos talentos – pessoas que tem competências específicas e exercerão um papel em uma área técnica, conhecida como categoria ou expressão artística, que compõem o que denominamos “departamento de um filme”.

– Produção

A produção é a categoria responsável pela gestão operacional do filme. É o produtor que faz o filme acontecer. Ele é o gerente que coordena as operações, controla o projeto cinematográfico como um todo. Ele garante que o orçamento seja cumprido, contrata as pessoas que trabalharão no filme e define com elas o cronograma de filmagens e atividades. O produtor está sempre no set de filmagem, supervisionando os aspectos artísticos, físicos e técnicos.

Existe também o produtor executivo, que é o alto executivo que cuida da gestão financeira do filme. É ele que investe na produção, define o orçamento e busca outros investidores para financiar a obra. Ele contrata o produtor e controla para que aquele cumpra os prazos e o orçamento. Eventualmente frequenta o set. Tem papel de conselheiro sobre aspectos artísticos, legais e de marketing.

Grandes produções épicas revelam o valor de uma produção competente, como mostram filmes como “Ben Hur” (1959), dirigido por William Wyler e produzido por Sam Zimbalist, obra vencedora de 11 Oscars e considerada uma das maiores produções de todos os tempos pelos recursos técnicos, pessoal e orçamento envolvido.

– Roteiro

É a narrativa escrita que dá origem ao filme. Pode ser uma história original, feita exclusivamente para o cinema, ou um roteiro adaptado de uma obra literária como livro ou peça de teatro. Poderia se dizer que toda boa história dá um bom filme, mas nem sempre isso é verdade.

Escrever scripts diretamente para o cinema é uma arte própria que já criou grandes escritores cinematográficos como Scott Fitzgerald, David Mamet e Robert Towne, por exemplo.

– Direção

É o processo de controle sobre a filmagem e o processo de edição, sobre os aspectos artísticos, sobretudo a direção do elenco e condução da história. Ele faz o roteiro se tornar realidade. Ele é frequentemente considerado o autor artístico da obra cinematográfica.

O diretor é como um maestro que molda a performance do elenco em cena, mas eventualmente pode haver atritos, como discutiremos no parágrafo a seguir. Porém, a habilidade de extrair uma boa atuação dos atores pode fazer toda a diferença no resultado de um filme.

Diretores atuais como Christopher Nolan, Steven Spielberg, Luc Besson David Fincher, Peter Jackson e Clint Eastwood, por exemplo, tem a maestria em dirigir atores ou domínio na narrativa cinematográfica.

– Elenco

Os atores devem desempenhar conforme o que define o roteiro e, também de acordo com as orientações do diretor, e podem contribuir efetivamente para ajudar a alcançar a visão que o diretor tem do filme.

A relação ator e diretor é muito especial e importante para o sucesso de um filme. Quando tudo vai bem, você tem um par que dá match como, por exemplo, Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese. Quando tudo vai mal, você tem briga com disputas, tensões e conflitos o tempo todo – uma disfunção que no set pode prejudicar completamente a produção e resultar em um filme mal feito.

O diretor Danny Boyle revela friamente como pode ser o papel do diretor nos bastidores: “As pessoas imaginam que é realmente “glamoroso” e artístico ser diretor de cinema, como Picasso pintando em uma tela em branco. Mas na verdade é principalmente sobre como lidar com os egos e humores das pessoas”.

Todavia, quando o elenco consegue dar o melhor de si, o resultado é espetacular como acontece com Joaquin Phoenix, Oscar por “The Joker”(2019).

– Fotografia

Também chamada de cinematografia, é o processo pelo qual as imagens em movimento são gravadas pela câmera. O fotografo faz o enquadramento das cenas, define a proporção de tela, posição, ângulo, filtros, movimento, lentes da câmera e exposição a luz.

Muito da performance dos atores é influenciada pela iluminação e sombra da fotografia e a beleza dos cenários é realçada pela paleta de cores utilizada pelo fotógrafo.

A espetacular fotografia de “Gravidade”(2013) representa a importância desta categoria. Feita pelo premiado com o Oscar, Emmanuel Lubezki, ela nos coloca literalmente dentro do espaço sideral.

– Cenografia

Cenografia ou direção de arte é o processo de criar ou encontrar cenários para o filme. Inclui buscar locações ou construir lugares, inclusive virtuais.

Aberto ao ocidente para filmagem pela primeira vez, a Cidade Proibida, cenário de “O Último Imperador” (1987), de Bernardo Bertolucci, nos transporta para o passado da dinastia imperial chinesa de Pu Yi. A bela fotografia de Vittorio Storaro e os figurinos, de James Acheson, também foram premiados com a estatueta. O filme levou 9 Oscars, incluindo Melhor Filme e Diretor.

– Música

A música ajuda a criar o clima da história. Ela sempre esteve ligada ao cinema. Mesmo nos tempos do cinema mudo, a música era incorporada de alguma forma, fosse com pianistas (ou até mesmo orquestras inteiras) tocando durante uma exibição.

Inúmeros filmes são muitas vezes mais lembrados por suas trilhas originais ou canções, como por exemplo, a fanfarra de John Williams para “Star Wars”(1977), Oscar de Melhor Música, é mundialmente referência de uma cultura pop cinematográfica e a canção oscarizada “I´ve had the time of my life”, de “Dirty Dancing” (1988), é tocada em inúmeras festas ao redor do planeta até hoje.

– Figurino

Processo de vestir o elenco em linha com a história e o período histórico em que a narrativa acontece. Figurinistas são verdadeiros storytellers, pois o vestuário dos personagens conta fatos e histórias sobre os seus personagens.

O espetacular musical baseado na obra de Vitor Hugo, “Os Miseráveis” (2012) é um deleite sonoro e visual ao telespectador, além da admiração do desempenho de todo elenco, em grande parte graças ao figurino feito por Paco Delgado, indicado ao Oscar. Paco teve que coordenar a execução de vestir 4 mil personagens. “Quando você começa a desenhar um filme, especialmente em um caso como este em que você tem tantos personagens que tem que ter uma espécie de leitmotiv correndo para o personagem,” explica o figurinista.

– Edição

É o processo de selecionar, arranjar e fazer a justaposição de materiais a fim de trazer ou revelar um objeto da maneira mais dramática ou eficaz. Por meio da edição, consegue-se dar ritmo e cadência a história, o que no cinema é um recurso crucial, pois um longa-metragem não deve normalmente exceder o tempo de duração convencional de duas horas.

O propósito do editor é guiar psicologicamente o espectador. Os focos do editor abrangem três aspectos: o elemento “tempo”; cadência e ritmo e relações visuais e auditivas.

Por exemplo, para transmitir as sensações do protagonista, um filme introspectivo pode ter uma edição mais espaçada e um filme de ação pode ter uma edição mais frenética. A tensão do filme ou cena também pode ser aumentada pela edição como acontece no western “Matar ou Morrer” (1952) que ganhou o Oscar de Melhor Edição. Naquele filme, entre outros recursos de edição, o relógio é mostrado de várias formas, em várias cenas, pois o herói tem até o meio-dia para resolver a trama.

– Som

Som ou trilha sonora é, tecnicamente, “todo o conjunto sonoro de um filme, incluindo além da música, os efeitos sonoros e os diálogos”.

O toque de realidade, o clima de uma sequência ou a atmosfera de uma cena são sublinhados pelo som e efeitos sonoros, além da música. Quem não lembra do impacto aterrorizante que o som arranhado misturado com a música de Bernard Herrmann provoca na cena do banheiro em Psicose (1960), de Alfred Hitchcock?

Assim como em filmes de suspense e terror o som provoca uma sensação assustadora, em filmes de ficção científica, sons ininteligíveis permitem acreditar que estamos em um universo desconhecido.

– Efeitos especiais

Uma ilusão criada para o cinema por trabalho de câmera, adereços, computação gráfica… etc. que fornece liberdade criativa para os diretores.

Nas últimas décadas os efeitos especiais e o cinema digital, representado por estúdios como Weta, Pixar e LucasArts, o cinema ultrapassou a fronteira do realismo para trazer não apenas personagens digitais que são críveis, mas que conseguem até ofuscar atores humanos. Alguns deles, desenvolvidos por computadores, se tornaram ícones completos como Gollum, da trilogia “O Senhor dos Anéis”(2001), o dinossauro T-Rex, da franquia “Jurassic Park”(1993), o xerife Woody dos filmes “Toy Story”(1995), o ogro Shrek da franquia “Shrek”(2001) e a princesa Neytiri de “Avatar”(2009). A maior bilheteria de todos os tempos é um filme de ação virtualmente apoiado em efeitos especiais:  Vingadores: Ultimato (2019), de Joe e Anthony Russo (US$ 2,795 bilhões).

– Cabelo e maquiagem

Processo que caracteriza os atores com o personagem idealizado pelo autor da história. Um exemplo de excelência nessa dimensão artística foi o brilhante trabalho de cabelo e maquiagem em Gary Oldman, no filme “O Destino de uma Nação” (2017) que fez o ator ficar semelhante ao político Winston Churchill, dando tanto ao ator, quanto a equipe de profissionais de makeup e hairstyling, os Oscars de suas áreas de atuação.

Quem não lembra também do saudoso Robin Williams ganhando um Globo de Ouro em “Uma Babá Quase Perfeita” (1993) que também levou o Oscar de Melhor Maquiagem?

Além destas categorias principais, muitos outros profissionais se envolvem na feitura de um filme. Entre eles: diretor de elenco, Iluminadores, eletricistas, marceneiros, pintores, capataz de construção, costureiras, designer de objetos, auxiliar de adereços, designer gráficos, equipe de catering, editor de diálogos,  motoristas, dublês, operador de câmera, animador, modelador CG, compositor digital, músico, assistente de locação, contador, relações públicas e designer de títulos.

Pelo que se vê um filme pode envolver dezenas, até centenas de pessoas. De acordo com o Stephen Follows Film Data Blog, entre 2000 e 2018, os filmes lançados nos Estados Unidos, empregaram em média 276 pessoas em papéis de equipe em pré-produção, filmagem e pós-produção.

Mas quem é o autor do filme, afinal?

Voltando a discussão inicial, vimos que tem muita gente envolvida numa obra cinematográfica. Porém, ao longo da História do Cinema, a autoria do filme foi creditada, ou até assumida quer dizer, por alguns dos membros da equipe cinematográfica. Dividimos esta evolução em 4 fases:

1.O Empreendedor cinematográfico

Quando assistimos a um filme do genial Charles Chaplin não temos dúvida de quem o fez. Chaplin foi um empreendedor do cinema. Em 1916, dois anos depois de iniciar sua carreira, ele já escrevia, produzia, dirigia e protagonizava seus filmes. Em alguns, até compôs a música, fez efeitos especiais e criou o cenário. Ele é a própria explicação da palavra film maker.

Nos anos 1910 e 1920, os pioneiros do cinema – filmmakers como David W. Griffith, Mack Sennett, Thomas H. Ince e Cecil B. DeMille, popularizam os filmes e atrairiam a criação de vários estúdios de cinema. Produtores como Warner Brothers, Samuel Goldwyn, Louis B. Mayer, Carl Laemmle, William Fox e Adolph Zukor todos iniciaram seus negócios na nova meca de produção em Los Angeles: Hollywood.

Nas décadas seguintes, a indústria cinematográfica se tornaria uma fábrica de produzir magia dominada por 8 grandes estúdios: Columbia, Fox, MGM, Paramount, RKO, United Artists, Universal e Warner Bros. Agora, poucos magnatas tinham em suas mãos o poder do glamour e da bilheteria que rendia a imagem dos astros e estrelas que atraiam multidões aos cinemas, graças a um sistema profissionalizado onde departamentos técnicos com diretores, roteiristas, fotógrafos e diversas categorias de profissionais ficavam a sua disposição para trabalhar em diferentes projetos cinematográficos. Nascia a “Era de Ouro de Hollywood” que se estenderia até o final dos anos 1950.

2. O Star System

Antes de 1910, “estrela” era um termo que significava um artista bem pago nos musicais. Embora os magnatas se opusessem, os atores foram elevados rapidamente ao patamar do estrelato por causa do numeroso público que levavam aos cinemas e ao glamour que propagavam. Assim como os musicais, só o cinema apelava às emoções do público além de outras artes.

Cecil B. DeMille, por exemplo, explorou esse fenômeno com o close-up de rostos lindos como o de Mary Pickford e Florence Lawrence, lançando uma tendência de glamourização que se estabeleceria por décadas. As revistas de fãs, como Movie Picture Magazine e Photoplay, que em 1916 atingiram juntas quase meio milhão de exemplares, e a crescente publicidade em torno das grandes estrelas aumentava a cada ano as bilheterias do cinema.

No final da década de 1920 surgia o star system, uma estratégia pela qual os grandes estúdios descobriam, moldavam e administravam as carreiras de personas idealizadas independente de boas atuações e que deveriam honrar rigidamente as regras contratuais de longo prazo com os estúdios que os promoviam e protegiam profissionalmente. Nomes como Clark Gable e Joan Crawford, da MGM, Henry Fonda e Betty Grable, da Fox, Cary Grant e Carole Lombart, da Paramount são apenas alguns exemplos daquela época.

O poder dos grandes produtores e dos estúdios na era do Star System está bem claro nesta famosa frase de Louis B. Mayer, co-fundador da MGM: “Uma estrela é feita, criada; construída com cuidado e sangue frio do nada, de ninguém. Tudo que eu sempre procurei foi um rosto. Se alguém parecesse bom para mim, eu o testaria. Se uma pessoa parecesse bem em filme, se ela fotografasse bem, poderíamos fazer o resto … Contratamos gênios em maquiagem, cabeleireiro, cirurgiões para cortar uma protuberância aqui e ali, borrachas para esfregar a gordura, designers de roupas, especialistas em iluminação, treinadores para tudo – esgrima, dança, caminhada, conversa, sentar e cuspir. “

3. O Filme de Autor

Com o surgimento da Nouvelle Vague, na França, e o fim da era de Ouro de Hollywood, o poder dos grandes estúdios passou o bastão da autoria da obra cinematográfica para as mãos dos diretores como principal protagonista. Exceção na fase anterior, com alguns diretores como Fritz Lang, Frank Capra, Orson Welles, Samuel Fuller e Alfred Hitchcock, entre outros, o cinema de autor passa a ser tendência.

O film d´auteur teve sua raiz nos cineastas franceses François Truffaut, Claude Chabrol, Jean-Luc Godard e Eric Rohmer, entre outros, nos anos 1960, inspirados nas críticas da revista Cahiers du Cinéma de André Bazin.  O movimento “nova onda” se inseriu no contexto das mudanças contestatórias da época e na busca de um cinema anticomercial e com abordagem mais pessoal, no estilo dos antigos film noir.

Este estilo que postulava a importância decisiva do realizador na autoria do filme passou a influenciar o cinema inglês e norte-americano pelas décadas seguintes, inclusive o brasileiro, com o chamado “Cinema Novo”.

Em Hollywood, por exemplo, uma nova safra de jovens geniais diretores surgiria, tais como Robert Altman, Brian de Palma, Francis Ford Coppola e George Lucas. E depois Martin Scorsese, Steven Spielberg ajudariam a criar uma “Nova Hollywood”.

4. A Obra Coletiva

Com o crescimento dos indie films (cinema independente), o empowerment nas das decisões no ambiente de trabalho, o surgimento dos blockbusters e a maior participação dos departamentos criativos, como cenários, maquiagem e efeitos especiais, o cinema passou a se tornar cada vez mais uma construção coletiva a partir dos anos 1990.

Filmes como “Titanic” (1997), “Harry Potter (2001) e “Os Vingadores” (2015), maiores bilheterias de toda a história do cinema, são essencialmente “trabalho de equipe” – um esforço coletivo de muitos talentos.

Se você creditar o sucesso destes filmes ao produtor, poderá estar parcialmente certo. Se for ao elenco de estrelas, provavelmente. Se for ao diretor, muito possivelmente. Mas, se olhar cuidadosamente: a dedicação, expertise e talento de cada categoria e a perfeita sinergia entre os departamentos do filme, esta sim será a receita do sucesso.

TODAY’S CINEMARCO’S GUEST IS MARCO AURÉLIO MORSCH.

I tend to provoke a discussion that can be academic, but it usually generates a good conversation: who is the author of a film, anyway?

Before answering the question, let’s reflect on who is behind the development, making and finishing of this artistic product called “film” that involves a three-stage process – pre-production, production and post-production, mobilizes up to hundreds of professionals and it can last for many months.

The categories of a film


A cinematographic work to be done, unlike painting, sculpture or literature, is an art that involves several talents – people who have specific skills and will play a role in a technical area, known as an artistic category or expression, that make up what we call “department of a film”.

  • Production

Production is the category responsible for the operational management of the film. It is the producer who makes the film happen. He is the manager who coordinates operations, controls the film project as a whole. He ensures that the budget is met, hires the people who will work on the film and sets the schedule for filming and activities with them. The producer is always on the set, supervising the artistic, legal and technical aspects.

There is also the executive producer, who is the top executive who takes care of the financial management of the film. It is him who invests in production, sets the budget and seeks other investors to finance the work. He hires the producer and controls that the producer meets the deadlines and the budget. Eventually he attends the set. He has an advisory role on artistic, legal and marketing aspects.

Great epic productions reveal the value of competent production, as shown in films such as Ben Hur (1959), directed by William Wyler and produced by Sam Zimbalist, an 11 Academy Award winning work and considered one of the greatest productions of all time by resources technicians, personnel and budget involved.

  • Script

It is the written narrative that gives rise to the film. It can be an original story, made exclusively for cinema, or a script adapted from a literary work such as a book or a play. It could be said that every good story makes a good film, but this is not always true.

Scripts written directly to the movies is an art of its own that has already created great cinematographic writers like Scott Fitzgerald, David Mamet and Robert Towne, for example.

  • Direction

It is the process of control over the filming and the editing process, over the artistic aspects, especially the direction of the cast and the conduct of the story. He makes the script come true. He is often considered the artistic author of the cinematographic work.

The director is like a conductor who shapes the cast’s performance on the scene, but eventually there may be friction, as we will discuss in the following paragraph. However, the ability to extract a good performance from the actors can make all the difference in the result of a film.

Current directors like Christopher Nolan, Steven Spielberg, Luc Besson, David Fincher, Peter Jackson and Clint Eastwood, for example, have mastery of directing actors or mastery of cinematic narrative.

  • Cast

The actors must perform as defined in the script and, also according to the director’s guidelines, and can effectively contribute to help achieve the director’s vision of the film.

The relationship between actor and director is very special and important for the success of a film. When everything goes well, you have a pair that matches, for example Leonardo DiCaprio and Martin Scorsese. When everything goes wrong, you have a fight with disputes, tensions and conflicts all the time – a dysfunction that on set can completely damage the production and result in a poorly made film.

Director Danny Boyle coldly reveals what the director’s role behind the scenes might look like: “People imagine that it is really “glamorous” and artistic to be a film director, like Picasso painting on a blank canvas. But in reality it is mainly about how to deal with people’s egos and moods ”.

However, when the cast manages to do their best, the result is spectacular as with Joaquin Phoenix, Oscar for The Joker (2019).

  • Photography

Also called cinematography, it is the process by which moving images are recorded by the camera. The photographer frames the scenes, defines the aspect ratio, position, angle, filters, movement, camera lenses and exposure to light.

Much of the actors’ performance is influenced by the lighting and shadow of the photograph and the beauty of the scenery is enhanced by the color palette used by the photographer.

The spectacular photograph of Gravity (2013) represents the importance of this category. Made by Oscar-winning Emmanuel Lubezki, it literally puts us inside outer space.

  • Scenography

Scenography or art direction is the process of creating or finding sets for the film. It includes searching for locations or building places, including virtual ones.

Open to the West for filming for the first time, the Forbidden City, the setting for Bernardo Bertolucci‘s The Last Emperor (1987), takes us back to the past of the Chinese imperial dynasty of Pu Yi. The beautiful photograph by Vittorio Storaro and the costumes by James Acheson were also awarded the statuette. The film won 9 Oscars, including Best Picture and Director.

Music

Music helps to create the mood of the story. It was always connected to the cinema. Even in the days of silent cinema, music was incorporated in some way, whether with pianists (or even entire orchestras) playing during an exhibition.

Countless films are often best remembered for their original tracks or songs, for example, John Williams‘ fanfare for Star Wars (1977), Oscar for Best Music, is worldwide reference for a cinematographic pop culture and the oscarized song I´ve had the time of my life, by Dirty Dancing (1988), is played at countless parties around the planet to this day.

Costume

Process of dressing the cast in line with the story and the historical period in which the narrative takes place. Costume designers are true storytellers, as the characters’ clothing tells facts and stories about their characters.

The spectacular musical based on the work of Vitor Hugo,Les Miserables ​​(2012) is a sonorous and visual delight for the viewer, in addition to the admiration of the performance of the entire cast, largely thanks to the costume design by Paco Delgado, nominated for an Oscar. Paco had to coordinate the execution of dressing 4,000 characters. When you start drawing a film, especially in a case like this where you have so many characters that you have to have a kind of leitmotiv running for the character, explains the costume designer.

Edition

It is the process of selecting, arranging and juxtaposing materials in order to bring or reveal an object in the most dramatic or effective way. Through editing, it is possible to give rhythm and cadence to the story, which in cinema is a crucial resource, since a feature film should not normally exceed the conventional duration of two hours.

The editor’s purpose is to psychologically guide the viewer. The focus of the editor covers three aspects: the time element; cadence and rhythm and visual and auditory relations.

For example, to convey the protagonist’s feelings, an introspective film may have a more spaced-out edition and an action film may have a more frantic one. The tension of the film or scene can also be increased by editing as in the western High Noon (1952), which won the Oscar for Best Editing. In that film, among other editing features, the clock is shown in various ways, in various scenes, as the hero has until noon to resolve the plot.

Sound

Sound or soundtrack is, technically, the whole sound set of a film, including in addition to music, sound effects and dialogues.

The touch of reality, the mood of a sequence or the atmosphere of a scene are underlined by sound and sound effects, in addition to music. Who doesn’t remember the terrifying impact that the scratchy sound mixed with Bernard Herrmann‘s music causes in the bathroom scene in Alfred Hitchcock‘s Psycho (1960)?

Just as in suspense and horror films the sound causes a frightening sensation, in science fiction films, unintelligible sounds allow us to believe that we are in an unknown universe.

Special effects

An illusion created for cinema by camera work, props, computer graphics … etc. which provides creative freedom for directors.

In the last decades, special effects and digital cinema, represented by studios like Weta, Pixar and LucasArts, cinema has crossed the frontier of realism to bring not only digital characters that are credible, but that can even outshine human actors. Some of them, developed by computers, became complete icons like Gollum, from the trilogy “The Lord of the Rings” (2001), the T-Rex dinosaur, from the “Jurassic Park” franchise (1993), Sheriff Woody from the “Toy Story” films ”(1995), the ogre Shrek from the“ Shrek ”franchise (2001) and Princess Neytiri from“ Avatar ”(2009). The highest grossing of all time is an action movie virtually supported by special effects: Avengers: Endgame (2019), by Joe and Anthony Russo ($ 2.775 billion).

  • Hair and makeup

Process that characterizes the actors with the character idealized by the author of the story. An example of excellence in this artistic dimension was the brilliant hair and makeup work in Gary Oldman, in the film Destiny of a Nation(2017) that made the actor similar to the politician Winston Churchill, giving both the actor, as well as the team of makeup and hairstyling professionals, the Oscars of his areas of expertise.

Who doesn’t also remember the late Robin Williams winning a Golden Globe for MRS. DOUBTFIRE (1993) who also won the Oscar for Best Makeup?

In addition to these main categories, many other professionals are involved in making a film. Among them: casting director, illuminators, electricians, carpenters, painters, construction foreman, dressmakers, object designer, prop assistant, graphic designer, catering team, dialogue editor, drivers, stuntmen, camera operator, animator, CG modeler, digital composer, musician, location assistant, accountant, public relations and title designer.

From what you see, a film can involve dozens, even hundreds of people. According to the Stephen Follows Film Data Blog, between 2000 and 2018, films released in the United States employed an average of 276 people in team roles in pre-production, filming and post-production.

But who is the author of the film, anyway?

Returning to the initial discussion, we saw that many people are involved in a cinematographic work. However, throughout the history of cinema, the authorship of the film was credited, or even assumed, that is, by some of the members of the cinematographic team. We divided this evolution into 4 phases:

1.The cinematographic entrepreneur

When we watch a movie by the brilliant Charles Chaplin, we have no doubt who did it. Chaplin was a film entrepreneur. In 1916, two years after starting his career, he already wrote, produced, directed and starred in his films. In some, he even composed the music, made special effects and created the scene. It is the very explanation of the word film maker.


In the 1910s and 1920s, film pioneers – filmmakers like David W. Griffith, Mack Sennett, Thomas H. Ince and Cecil B. DeMille, popularized films and would attract the creation of several film studios. Producers like Warner Brothers, Samuel Goldwyn, Louis B. Mayer, Carl Laemmle, William Fox and Adolph Zukor all started their business at the new production mecca in Los Angeles: Hollywood.

In the following decades, the film industry would become a factory to produce magic dominated by 8 major studios: Columbia, Fox, MGM, Paramount, RKO, United Artists, Universal and Warner Bros.

Now, few tycoons had in their hands the power of glamor and the box office that rendered the image of the stars who attract crowds to cinemas, thanks to a professionalized system where technical departments with directors, screenwriters, photographers and several categories of professionals were located. your willingness to work on different cinematographic projects. The “Golden Age of Hollywood” was born, which would last until the end of the 1950s.

  1. The Star System
    Before 1910, “star” was a term that meant a well-paid artist in musicals. Although the magnates opposed it, the actors were quickly raised to the level of stardom because of the large audience they brought to the cinemas and the glamor they spread. Just like musicals, only cinema appealed to the audience’s emotions in addition to other arts.
    Cecil B. DeMille, for example, explored this phenomenon with the close-up of beautiful faces like that of Mary Pickford and Florence Lawrence, launching a glamor trend that would establish itself for decades. Fan magazines, such as Movie Picture Magazine and Photoplay, which in 1916 reached almost half a million copies together, and the growing publicity around the big stars increased the box office of cinema every year.
    At the end of the 1920s, the star system emerged, a strategy by which large studios discovered, shaped and managed the careers of idealized people regardless of good performance and who should strictly honor long-term contractual rules with the studios that promoted them and protected professionally. Names like Clark Gable and Joan Crawford of MGM, Henry Fonda and Betty Grable of Fox, Cary Grant and Carole Lombard of Paramount are just a few examples of that time.
    The power of big producers and studios in the era of the Star System is very clear in this famous phrase by Louis B. Mayer, co-founder of MGM: “A star is made, created; built with care and cold blood from nothing, from nobody All I ever looked for was a face. If someone looked good to me, I would test it. If a person looked good on film, if they photographed well, we could do the rest … We hired makeup geniuses, hairdressers, surgeons to cut a lump here and there, rubbers for rubbing grease, clothing designers, lighting experts, coaches for everything – fencing, dancing, walking, talking, sitting and spitting. “
  2. The Authoral Movie
    With the emergence of the Nouvelle Vague, in France, and the end of the Golden Age of Hollywood, the power of the big studios passed the baton of authorship of the cinematographic work into the hands of the directors as the main protagonist. Exception in the previous phase, with some directors such as Fritz Lang, Frank Capra, Orson Welles, Samuel Fuller and Alfred Hitchcock, among others, author’s cinema becomes a trend.
    The film d´auteur had its roots in the French filmmakers François Truffaut, Claude Chabrol, Jean-Luc Godard and Eric Rohmer, among others, in the 1960s, inspired by the critiques of André Bazin‘s Cahiers du Cinéma magazine. The “new wave” movement was inserted in the context of the challenging changes of the time and in the search for an anti-commercial cinema with a more personal approach, in the style of the old film noir.
    This style that postulated the decisive importance of the director in the authorship of the film started to influence English and North American cinema for the following decades, including Brazil, with the so-called “Cinema Novo”.
    In Hollywood, for example, a new crop of young genius directors would emerge, such as Robert Altman, Brian de Palma, Francis Ford Coppola and George Lucas. And then Martin Scorsese, Steven Spielberg helps creating a “New Hollywood”.

4. The Collective Work

With the growth of indie films (independent cinema), empowerment of decisions in the workplace, the emergence of blockbusters and the greater participation of creative departments, such as sets, makeup and special effects, cinema has become increasingly a collective construction from the 1990s.

Films like Titanic (1997), Harry Potter (2001) and The Avengers(2015), the highest grossing tickets in the history of cinema, are essentially“ teamwork ”- a collective effort by many talents.

If you credit the producer for the success of these films, you may be partially right. If you go to the star cast, probably. If you go to the director, very possibly. But if you look carefully: the dedication, expertise and talent of each category and the perfect synergy between the departments of the film, this will be the recipe for success.

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