DOIS ERAM CULPADOS: Até Onde Vai a Presunção de Inocência?

Há alguns meses atrás, recebi no Facebook, o anúncio do lançamento de uma coleção de DVDs da Versátil intitulada: FILMES DE TRIBUNAL. Como ali havia vários títulos interessantes, comprei no ato. Há bastante tempo não comprava mais dvds. O streaming abundante diminuiu muito a compra de dvds.

Recebi somente nesta semana, meses depois de ter comprado. O filme que mais me interessava (nunca tinha visto e meus amigos Isaac Menda e Ernani Back recomendaram vivamente) era o thiller do francês André Cayatte, intitulado LA GLAIVE ET LA BALANCE (TWO WERE GUILTY), de 1962. P título original pode ser traduzido como A ESPADA E A BALANÇA.

Dois homens sequestram e matam um menino filho de uma milionária na Riviera Francesa. Perseguidos vão se refugiar em um farol. Quando a Polícia os cerca, surpreendentemente saem três homens cada um pretextando inocência e não ter qualquer relação com os outros dois.

Isto gera um impasse na investigação, levando a Procuradoria de Justiça a acusar os três homens, mesmo havendo fortes indícios de que um era inocente.

O cineasta, jornalista e escritor André Cayatte era advogado de profissão e dedicou sua carreira a examinar casos judiciais reais e fictícios que expusessem ao público as entranhas da Polícia e da Justiça. A RAZÃO DO ESTADO, DIREITO DE MATAR e SOMOS TODOS ASSASSINOS são três filmes célebres dele.

O elenco de DOIS ERAM CULPADOS é ótimo. Os três acusados são Anthony Perkins (quase sem lembrar Norman Bates), Jean Claude Brialy (um dos artistas favoritos da Nouvelle Vague) e Renato Salvatori (celebrizado em Z, de Costa Gavras). Ainda tem Pascale Audret, Anne Tonietti, Marie Déa, Elina Labourdette, Fernand Ledoux, e Jacques Monod.

A narrativa é inteligente e intrigante, porque leva o espectador a acreditar em cada um deles como sendo o inocente, à medida em que vão contando sua versão dos fatos.

Outro elemento de interesse é o papel do Jazz (trilha sonora impecável), como um elemento inovador, visto pelos mais conservadores como uma ameaça às canções tradicionais.

A reflexão principal de Cayatte neste filme é sobre o princípio da presunção de inocência: até onde ele vale? Para não condenar um inocente se deve absolver dois culpados? Genial e excruciante dilema.

Gostei muito de ver DOIS ERAM CULPADOS. Vi que esteve disponível no MUBI. Não é um filme fácil de achar, mas vale muito a pena.

A few months ago, I received on Facebook, the announcement of the launch of a collection of DVDs from Versátil entitled: COURTROOM DRAMAS. As there were several interesting titles there, I bought it right away. I hadn’t bought DVDs in a long time. The abundant streaming has greatly reduced the purchase of DVDs.

I received it only this week, months after I bought it. The film that interested me most (I had never seen it and my friends Isaac Menda and Ernani Back strongly recommended it) was the thiller by the French André Cayatte, entitled LA GLAIVE ET LA BALANCE (TWO WERE GUILTY), from 1962. The original title can be translated like THE SWORD AND THE BALANCE.

Two men kidnap and kill a son of a millionaire on the French Riviera. Persecuted, they will take refuge in a lighthouse. When the police surround them, surprisingly three men leave, each one pretending innocence and having no relationship with the other two.

This creates an impasse in the investigation, leading the Attorney General’s Office to accuse the three men, even though there are strong indications that one was innocent.

Filmmaker, journalist and writer André Cayatte was a lawyer by profession and devoted his career to examining real and fictional court cases that exposed the insides of the police and justice to the public. THE REASON FOR THE STATE, THE RIGHT TO KILL and WE ARE ALL KILLERS are three of his famous films.

The cast of TWO WAS GUILTY is great. The three defendants are Anthony Perkins (almost without remembering Norman Bates), Jean Claude Brialy (one of Nouvelle Vague’s favorite artists) and Renato Salvatori (famous in Z, by Costa Gavras). Still have Pascale Audret, Anne Tonietti, Marie Déa, Elina Labourdette, Fernand Ledoux, and Jacques Monod.

The narrative is intelligent and intriguing, because it leads the viewer to believe in each one of them as being innocent, as they tell their version of the facts.

Another element of interest is the role of Jazz (impeccable soundtrack), as an innovative element, seen by the most conservative as a threat to traditional songs.

Cayatte’s main reflection in this film is on the principle of the presumption of innocence: how far is it worth? In order not to condemn an ​​innocent, should two culprits be acquitted? Genius and excruciating dilemma.

I really enjoyed seeing TWO WERE GUILTY. I saw that it was available on MUBI. It is not an easy film to find, but it is well worth it.

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