RIFIFI: Um Filme de Roubo Inesquecível

O CONVIDADO DE HOJE DO CINEMARCO É ISAAC MENDA.

Um dos melhores filmes de assaltos que assisti foi Rififi (Du rififi chez les hommes, no original). Película francesa de 1955, dirigida por Jules Dassin, um americano que depois de entrar na lista negra de Hollywood, foi trabalhar na França.

O filme ficou famoso pela cena de um roubo numa joalheria, tendo no momento do assalto, 28 minutos de silêncio, sem diálogos ou música, mostrando em detalhes a ação dos bandidos, imitada posteriormente por criminosos de verdade ao redor do mundo. O roubo consistia em abrir um buraco no chão de um quarto em cima da joalheria.

O filme foi adaptado de um livro com o mesmo nome, de autoria de Auguste Le Breton e era o primeiro filme de Dassin em cinco anos sem trabalho desde que entrara para a lista negra do Comitê de Atividades Antiamericanas nos Estados Unidos ao ser delatado como comunista pelo seu companheiro diretor Edward Dmytryk, em abril de 1951.  

Usando a linguagem nativa do inglês, Dassin escreveu o roteiro de Rififi em seis dias com a ajuda do escritor René Wheeler, que posteriormente pegou o material e o traduziu para o francês. Dassin odiou o livro, pois lhe desagradava o tema do racismo na história que colocava bandos rivais de negros árabes e norte-africanos contra europeus de pele clara. Além disso, o livro trazia eventos inquietantes como necrofilia — cenas que Dassin não sabia como levar para a tela de cinema. Para a gangue rival, o produtor sugeriu que fossem interpretados por americanos, achando que Dassin iria aprovar. O diretor foi contra a ideia, pois não queria ser acusado de realizar uma vingança na tela contra seus conterrâneos.

Dassin manteve a ideia das multi etnias em seu roteiro, escolhendo o germânico “Grutter” como o nome da gangue rival. A maior mudança em relação ao livro foi na cena do assalto, que aparecia em apenas 10 das 250 páginas. Dassin centrou o roteiro dele nessa ação para substituir outros eventos que não sabia o que fazer para inclui-los na adaptação. Como resultado, as cenas tomaram um quarto do tempo de duração de exibição e apenas com som natural, sem diálogos ou músicas de acompanhamento.

O título é uma gíria da França central que deriva de rufe (fogo) e latim rūfus (vermelho).

A música é outro destaque do filme, sendo tocada até hoje. Georges Auric foi contratado como o compositor da trilha sonora. Dassin e Auric, em princípio, não concordaram sobre usar música na cena do assalto de exatos 28 minutos. Após o diretor falar que não queria música, Auric declarou que queria “protegê-lo”. “Eu vou escrever a música de qualquer jeito por que precisa para ser protegido”. Após o término das filmagens, Dassin mostrou o resultado para Auric uma vez com a música e outra, sem. O compositor acabou concordando que era melhor sem a música.

Na época do lançamento original houve reação positiva do público e da crítica francesa, norte-americana e britânica. Dassin ganhou o prêmio de melhor diretor no Festival de Cinema de Cannes de 1955 e sendo indicado pelo National Board of Review como o Melhor Filme Estrangeiro.

TODAY’S GUEST TO CINEMARCO IS ISAAC MENDA.

One of the best heist films I watched was Rififi (Du rififi chez les hommes, in the original). French film of 1955, directed by Jules Dassin, an American who after entering the Hollywood black list, went to work in France.

The film was famous for the scene of a robbery in a jewelry store, having at the moment of the assault, 28 minutes of silence, without dialogue or music, showing in detail the action of the bandits, later imitated by real criminals around the world. The theft consisted of drilling a hole in the floor of a room above the jewelry store.

The film was adapted from a book of the same name, written by Auguste Le Breton and was Dassin’s first film in five years without work since he was blacklisted by the Committee on Anti-American Activities in the United States when he was reported as a Communist by fellow director Edward Dmytryk in April 1951.

Using native English language, Dassin wrote Rififi’s script in six days with the help of writer René Wheeler, who subsequently took the material and translated it into French. Dassin hated the book because he disliked the theme of racism in the story that pitted rival bands of Arab and North African blacks against fair-skinned Europeans. In addition, the book featured disturbing events like necrophilia – scenes that Dassin did not know how to bring to the cinema screen. For the rival gang, the producer suggested that they be played by Americans, thinking that Dassin would approve. The director was against the idea, as he did not want to be accused of revenge on the screen against his countrymen.

Dassin kept the idea of ​​multi ethnicities in his script, choosing the German “Grutter” as the name of the rival gang. The biggest change from the book was in the robbery scene, which appeared in only 10 of the 250 pages. Dassin focused his script on that action to replace other events that he didn’t know what to do to include them in the adaptation. As a result, the scenes took a quarter of the duration of the exhibition and only with natural sound, without dialogues or accompanying songs.

The title is a slang from central France that derives from rock (fire) and Latin rūfus (red).

Music is another highlight of the film, being played until today. Georges Auric was hired as the composer of the soundtrack. Dassin and Auric, in principle, did not agree on using music in the exact 28-minute assault scene. After the director said he didn’t want music, Auric stated that he wanted to “protect him”. “I’m going to write the song anyway I need to be protected”. After filming ended, Dassin showed the result to Auric once with the song and once without. The composer ended up agreeing that it was better without the music.

At the time of the original release, there was a positive reaction from the public and from French, American and British critics. Dassin won the award for best director at the 1955 Cannes Film Festival and was nominated by the National Board of Review as the Best Foreign Film.

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