UM LANCE NO ESCURO: Um PI e seu Código de Honra Em um Noir Maravilhoso

Quais os elementos essenciais a um ótimo filme noir? Uma história boa, complexa, com personagens ambíguos, reviravoltas no enredo e, se possível o trio ideal, composto por um detetive com problemas financeiros, uma mulher fatal e uma loira desaparecida. Evidentemente há variações nesta receita, mas se olharmos os filmes do gênero, eles alternam leituras sobre estes elementos.

Dia destes dei de cara na Amazon Prime Video com o ótimo UM LANCE NO ESCURO, filme que o excelente Arthur Penn (BONNIE E CLYDE, O PEQUENO GRANDE HOMEM e O MILAGRE DE ANNE SULLIVAN) fez narrando as aventuras (e desventuras) do PI ( e ex-jogador de futebol americano) Harry Moseby (Gene Hackman em desempenho memorável), contratado por uma atriz de cinema casada com um magnata para encontrar e trazer de volta para a casa a filha pós-adolescente deles que fugiu para a Flórida.

O filme de Penn é primoroso em cada detalhe: o código de honra de Mosely, a falta de valores da alta sociedade californiana, a vida libertária (e libertina) da menina fugida, traições e ambições pessoais dos envolvidos e uma trama cheia de mistérios e surpresas.

Gene Hackman já era um ótimo ator, como havia mostrado antes em A CONVERSAÇÃO e OPERAÇÃO FRANÇA como depois comprovaria em muitos trabalhos como OS IMPERDOÁVEIS. O elenco era cheio de figurinhas carimbadas dos anos setenta, como Jennifer Warren, Edward Binns, James Woods, Janet Ward, e Harris Ullen. O destaque, além de Hackman era uma adolescente (tinha à época 18 anos) Melanie Griffith como a moça rebelde que fugia de casa para viver a liberdade (interessante ver como mostrar os seios era um sinal de rebeldia nos anos 70). O desconcerto de Mosely em cada encontro e diálogo com a jovem Delly é particularmente brilhante.

A história do filme é magistral. Nada (e ninguém) é o que parece, como convém a um bom noir. O outro elemento noir típico, muito presente no inspiradíssimo roteiro de Alan Sharp é a melancolia (e nostalgia) que advém de cada decepção sofrida pelo protagonista.

Mosely (como a maioria dos detetives do gênero) é quase um cowboy dos western tradicionais. Tudo o que faz tem um certo idealismo ingênuo, datado e fora das práticas das pessoas com quem depara.

Se você encontrar em um serviço de streaming UM LANCE NO ESCURO, não deixe de ver. É um filme diferenciado.

What are the essential elements of a great film noir? A good, complex story, with ambiguous characters, plot twists and, if possible, the ideal trio, composed of a detective with finnacial problems, a femme fatale and a missing blonde. Obviously there are variations in this recipe, but if we look at the films of the genre, they alternate readings on these elements.

The other day I came across Amazon Prime Video with the great NIGHT MOVES, film that the excellent Arthur Penn (BONNIE AND CLYDE, THE LITTLE BIG MAN and THE MIRACLE OF ANNE SULLIVAN) made narrating the adventures (and misfortunes) of PI and former football player) Harry Moseby (Gene Hackman in memorable performance), hired by a film actress married to a tycoon to find and bring back their post-teen daughter who fled to Florida.

Penn’s film is exquisite in every detail: Moseby’s code of honor, the Californian high society’s lack of values, the escaped (and libertine) life of the runaway girl, betrayals and personal ambitions of those involved and a plot full of mysteries and surprises.

Gene Hackman was already a great actor, as he had shown before in THE CONVERSATION and THE FRENCH CONNECTION as he would later prove in many works like THE UNFORGIVEN. The cast was full of stamped figurines from the seventies, like Jennifer Warren, Edward Binns, James Woods, Janet Ward, and Harris Ullen. The highlight, in addition to Hackman was a teenager (18 years old at the time) Melanie Griffith as the rebellious girl who ran away from home to experience freedom (interesting to see how showing her breasts was a sign of rebellion in the 70s). Mosely’s bewilderment at every meeting and dialogue with young Delly is particularly brilliant.

The story of the film is masterful. Nothing (and nobody) is what it seems, as befits a good noir. The other typical noir element, very present in Alan Sharp‘s inspired script is the melancholy (and nostalgia) that comes from each disappointment suffered by the protagonist.

Moseby (like most detectives of the genre) is almost a traditional western cowboy. Everything he does has a certain naive idealism, dated and outside the practices of the people he comes across.

If you find THE NIGHT MOVES streaming, be sure to see it. It is a different film.

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