UM INESPERADO REENCONTRO COM MARILYN

O CONVIDADO DE HOJE DO CINEMARCO É FLÁVIO BALESTRERI.

Na minha leitura diária aqui no blog, gosto quando o Marco ou alguns dos convidados contam histórias do passado tendo o cinema com tema. Talvez por me identificar muito com esses relatos que me fazem lembrar das matinês da minha infância nos cinemas de Santana do Livramento e da vizinha cidade uruguaia de Rivera.

Mas, os meus primeiros filmes não foram assistidos propriamente dentro de uma sala de cinema. No final da década de 1950, ainda criança, pude ver um filme de guerra projetado na parede do prédio em frente ao que eu morava. Era muito comum na época e me lembrei disso quando assisti “Cinema Paradiso”, na cena em que o projecionista Alfredo (o saudoso Philippe Noiret) consegue replicar as imagens de um filme de sua cabine para as paredes da praça para que o público pudesse assisti-lo.

Mas o que considero “oficialmente” a minha maior experiência com cinema que não era propriamente um cinema, na minha infância em Livramento, foi em 1960, no diretório de um partido político, o mesmo do prefeito da época. Diariamente, ao anoitecer, havia sessões de filmes em benefício de escolas municipais. Sentado em bancos de madeira do tipo de jardim, um público de todas as idades lotava o salão para apreciar, projetados em 16 mm, entre outros, comédias do tipo pastelão, como as dos Três Patetas, e filmes de gângsteres, dos quais na recordo os títulos, mas que muito me impressionavam, e que, obviamente, um guri de sete anos de idade não teria chance de assistir num cinema tradicional.

Houve uma vez em que o encarregado da projeção chegou, retirou o projetor da maleta e, enquanto o ajeitava no tripé, foi anunciando que o filme daquela noite seria colorido e em Cinemascope. Ligou o equipamento, mexeu na lente e vi a imagem projetada na parede branca esticar para os lados.

O filme era um faroeste, suficiente para cair muito bem no gosto de um grande apreciador do gênero como eu. Talvez pela minha pouca idade, não me preocupava em saber detalhes sobre diretor, atores, etc. Na época, ver um pouco de ação tendo como cenário o Velho Oeste me bastava. Nem guardei o nome do filme. Mas fiquei fascinado, pois, além de mostrar paisagens magníficas, tinha aventura, índios, mocinho, bandido e… muito tiroteio.

Anos depois, assistia eu uma dessas sessões da tarde na televisão quando comecei a reconhecer cenas do filme desconhecido que me encantara na infância. Soube então que se tratava de “O Rio das Almas Perdidas”, faroeste de 1954 dirigido por Otto Preminger, com Robert Mitchum, Marilyn Monroe e Rory Calhoun. A descoberta me deixou surpreso e feliz. Nunca me passou pela cabeça que uns 15 anos atrás, sem saber, já tinha assistido um filme estrelado pela deusa Marilyn Monroe. Foi um inesperado reencontro. Seu único filme que conseguira ver sem que fosse na TV. Mesmo em 16 mm.

Além de um belo filme, a simples presença da atriz no elenco ajudou para que “O Rio das Almas Perdidas” se tornasse um dos meus faroestes prediletos. O vídeo faz parte do meu acervo. Às vezes costumo assisti-lo para rever uma encantadora Marilyn no auge dos seus 27 anos.

In my daily reading here on the blog, I like it when Marco or some of the guests tell stories from the past with cinema as a theme. Perhaps because I identify so much with these stories that remind me of the matinees of my childhood in the cinemas of Santana do Livramento and the neighboring Uruguayan city of Rivera.

But, my first films were not actually seen inside a movie theater. In the late 1950s, as a child, I was able to see a war movie projected on the wall of the building in front of what I lived in. It was very common at the time and I remembered it when I watched “Cinema Paradiso”, in the scene where the projectionist Alfredo (the late Philippe Noiret) manages to replicate the images of a film from his cabin to the walls of the square so that the audience could watch it.

But what I consider “officially” my greatest experience with cinema, which was not exactly a cinema, in my childhood in Livramento, was in 1960, in the directory of a political party, the same as the mayor of the time. Daily, at dusk, there were film sessions for the benefit of municipal schools. Sitting on wooden benches of the garden type, a public of all ages filled the hall to enjoy, projected in 16 mm, among others, comedies of the slapstick type, such as those of the Three Stooges, and gangster films, of which I remember the titles, but that really impressed me, and that, obviously, a seven-year-old kid wouldn’t have a chance to watch in a traditional cinema.

There was a time when the person in charge of the projection arrived, removed the projector from the briefcase and, while adjusting it on the tripod, it was announcing that the film of that night would be colored and in Cinemascope. He turned on the equipment, touched the lens and I saw the image projected on the white wall stretch out to the sides.

The film was a western, enough to suit the taste of a big fan of the genre like me. Perhaps because of my young age, I was not concerned with knowing details about the director, actors, etc. At the time, seeing a little action against the backdrop of the Wild West was enough for me. I didn’t even keep the name of the movie. But I was fascinated, because, in addition to showing magnificent landscapes, there was adventure, Indians, good guy, thug and … a lot of shooting.

Years later, I was watching one of those afternoon sessions on television when I started to recognize scenes from the unknown film that had enchanted me as a child. I learned then that it was “RIVER OF NO RETURN”, a 1954 western directed by Otto Preminger, with Robert Mitchum, Marilyn Monroe and Rory Calhoun. The discovery left me surprised and happy. It never occurred to me that some 15 years ago, without knowing it, I had already watched a movie starring the goddess Marilyn Monroe. It was an unexpected reunion. Her only film that he had managed to see without being on TV. Even at 16 mm.

In addition to a beautiful film, the simple presence of the actress in the cast helped “RIVER OF NO RETURN” to become one of my favorite Westerns. The video is part of my collection. Sometimes I watch him to see a charming Marilyn at the height of her 27 years.

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