EU E ORSON WELLES: Perto de um Gênio

O diretor texano Richard Linklater já fez ótimos filmes em sua carreira: a trilogia ANTES DO AMANHECER, ANTES DO POR-DO-SOL, ANTES DA MEIA-NOITE, ESCOLA DE ROCK e BOYHOOD. Eu não conhecia EU E ORSON WEELES, filme que Linklater rodou em 2008, contando a história de uma revolucionária montagem de JULIUS CESAR que Orson Welles fez no Mercury Theatre, em Nova Iorque. O filme, em exibição na Amazon Prime americana, se baseia no best seller do Professor de Teatro e Cinema Robert Kaplow.

Há muita coisa maravilhosa no filme: doze anos atrás a excelente atriz Claire Danes já exibia um talento diferenciado que vem mostrando em toda sua carreira, notadamente no premiadíssimo HOMELAND, onde faz uma Carrie Mathison extraordinária. Aqui sua Sonja Jones é uma pessoa tão especial quanto possa ser a responsável por um teatro em que todos têm que fazer tudo. Inclusive viver e sonhar com um encontro com David O. Selznick.

O maios destaque do filme é o Orson Welles feito pelo ator inglês Christian McKay, visto no filme RUSH e na série GRANTCHESTER. O Welles de McKay é perfeito, fazendo toda a hora a gente pensar que está vendo o gênio criador de CIDADÃO KANE. Histriônico, megalomaníaco, destrutivo, irônico, falso em oposição ao artista criativo, ousado, revolucionário, visionário e disposto a romper barreiras criando um JULIUS CESAR moderno o suficiente para ter soldados romanos com trajes militares atuais. Orson Welles reviveu no filme de Linklater.

Acho Zack Efron bem fraquinho. Aqui até fez um papel razoável como o ingênuo Richard perdido entre seus sonhos e a dura realidade do show business (e da vida) onde cada um só cuida do que lhe interessa. Ainda tem no ótimo elenco, Joe Kazan (neta de Elia Kazan), Ben Chaplin, Kelly Reilly, Imogen Poots, Saskia Reeves, James Tupper (ótimo como Joseph Cotten) e Eddie Marsan (como John Houseman). Um elenco admirável.

O falecido crítico Roger Ebert, escreveu a respeito do filme quando de sua estréia: “Eu e Orson Welles”, de Richard Linklater, é um dos melhores filmes sobre teatro que já vi e um dos poucos a saborear o ressentimento que tantos colaboradores de Welles sentiam pelo Grande Homem. Ele era tão multitarefa que enquanto apresentava suas famosas produções do Mercury Theatre na Broadway, ele também estrelou vários programas de rádio, conduziu uma vida social ativa e às vezes cochilou indo de um emprego para outro em uma ambulância alugada. Grande parte do dia de um membro do elenco de Welles era ocupado simplesmente esperando que ele aparecesse no teatro.”

Realmente, EU E ORSON WELLES é um filme a ser visto. É uma visão de um teatro por dentro, conduzida de forma brilhante por Linklater. Tudo o que pode dar errado na produção de uma peça teatral (mesmo na Broadway), onde todos devem fazer de tudo e o resultado, até a noite de estréia é um grande mistério. A reação dos atores quando vêem que a plateia amou a peça é emocionante.

E estar perto de um gênio, mesmo representado por outro ator, é um privilégio. Orson Welles, com todos os defeitos e críticas que sofreu em sua vida, é um nome a ser sempre reverenciado. Quem fez CIDADÃO KANE merece eterno reconhecimento e admiração.

Texan director Richard Linklater has already made great films in his career: the trilogy BEFORE SUNRISE, BEFORE SUNSET, BEFORE MIDNIGHT, SCHOOL OF ROCK and BOYHOOD. I didn’t know ME AND ORSON WELLES, a film that Linklater shot in 2008, telling the story of a revolutionary montage of Shakespeare’s JULIUS CESAR that Orson Welles did at the Mercury Theater in New York. The film, shown on the American Amazon Prime, is based on the best seller by Professor of Theater and Cinema Robert Kaplow.

There is a lot of wonderful things in the film: twelve years ago the excellent actress Claire Danes already exhibited a different talent that she has shown throughout her career, notably at the award-winning HOMELAND, where she plays an extraordinary Carrie Mathison. Here her Sonja Jones is as special a person as he can be responsible for a theater in which everyone has to do everything. Including living and dreaming of an encounter with David O. Selznick.

The biggest highlight of the film is the Orson Welles made by the English actor Christian McKay, seen in the film RUSH and in the series GRANTCHESTER. McKay’s Welles is perfect, making us all the time thinking that we are seeing the creative genius of CITIZEN KANE. Histrionic, megalomaniacal, destructive, ironic, false in opposition to the creative, daring, revolutionary, visionary and willing to break barriers creating a modern JULIUS CESAR enough to have Roman soldiers in current military clothes. Orson Welles revived in the Linklater film.

I think Zack Efron is very weak as an actor. Here, he even played a reasonable role as the naive Richard lost between his dreams and the harsh reality of show business (and life) where everyone only takes care of what interests him. Still in the great cast, Joe Kazan (granddaughter of Elia Kazan), Ben Chaplin, Kelly Reilly, Imogen Poots, Saskia Reeves, James Tupper (great as Joseph Cotten) and Eddie Marsan (as John Houseman). An admirable cast.

The late critic Roger Ebert, wrote about the film at the time of its debut: “Richard Linklater’s “Me and Orson Welles” is one of the best movies about the theater I’ve ever seen, and one of the few to relish the resentment so many of Welles’ collaborators felt for the Great Man. He was such a multitasker that while staging his famous Mercury Theatre productions on Broadway, he also starred in several radio programs, carried on an active social life and sometimes napped by commuting between jobs in a hired ambulance. Much of the day for a Welles cast member was occupied in simply waiting for him to turn up at the theater.”

Really, ME AND ORSON WELLES is a film to be seen. It is a view of a theater from the inside, conducted brilliantly by Linklater. Everything that can go wrong in the production of a play (even on Broadway), where everyone must do everything and the result, until the opening night is a great mystery. The reaction of the actors when they see that the audience loved the play is very touching and emotional.

And being close to a genius, even represented by another actor, is a privilege. Orson Welles, with all the flaws and criticisms he has suffered in his life, is a name to be always revered. Whoever made CITIZEN KANE deserves eternal recognition and admiration.

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