ANNETTE: Um Musical Louco e Magnético de Leos Carax

O cineasta francês Leos Carax vem construindo sua carreira com filmes tão autorais quanto malditos. É daquela turma que críticos e público se dividem em adoradores incondicionais ou haters inflamados. OS AMANTES DE PONT-NEUF (THE LOVERS ON THE BRIDGE), MAUVAIS SANG (BAD BLOOD) e HOLY MOTORS estão entre os 15 (muitos curtas) que Carax dirigiu.

A Amazon Prime USA está lançando seu mais recente trabalho. ANNETTE é um musical muito louco, com 141 minutos de uma narrativa que o espectador tem que estar muito concentrado para seguir. Um expoente da stand up comedy, conhecido por sua extrema irreverência, violência verbal e descompromisso com quaisquer padrões se apaixona por uma consagrada e reconhecida soprano que é a queridinha da mídia especializada. O tórrido romance entre os dois é acompanhado por público e tablóides com sensacionalismo e incredulidade.

Como podem duas pessoas tão diferentes (sobretudo na arte que praticam) se apaixonar de forma tão visceral e definitiva.

Os trabalhos de Adam Driver (sigo achando que ele está cada vez melhor e buscando desafios interpretativos mais difíceis com êxito) e da excelente Marion Cotillard (Oscar de Melhor Atriz por PIAF) são excepcionais. Os dois se entregaram de tal forma aos papeis que quando o roteiro dos irmãos Ron e Russell Mael dá sua guinada, o espectador não tem como não se lamentar.

O amor dos dois gera uma menina, a personagem título ANNETTE. No início, ANNETTE é representada por uma boneca animada, um recurso visual tão louco e pouco usual que é muito incômodo. Parece que o filme perdeu seu eixo.

Aos poucos (e Annette passa a ser a menina atriz Devin McDowell) a gente vai se acostumando, principalmente quando ele passa a conduzir a narrativa.

Para mim é muito claro que esta segunda parte do filme é muito inferior a primeira. Acho que a brincadeira animatrônica de Carax custou caro a seu filme. trocar dois ótimos atores por uma boneca eletrônica não foi, na minha opinião, uma boa ideia.

De qualquer sorte, o deslumbramento visual do filme segue intacto. Música, canções, cenários, cores, figurinos, ângulos de filmagem têm a marca do talento diferenciado do cineasta. Não são poucas as cenas que nos deixam sem respirar pela beleza impressionante.

Carax seguirá sendo um cineasta de incrível talento que faz esporadicamente filmes cult (às vezes malditos) com sua digital inconfundível impressa em cada cena.

Um cara – como o filme ANNETTE – diferente de tudo o que você já viu.

French filmmaker Leos Carax has been building his career with films as authorial as they are damned. It is from that group that critics and the public divide into unconditional worshipers or fiery haters. THE LOVERS ON THE BRIDGE), MAUVAIS SANG (BAD BLOOD) and HOLY MOTORS are among the 15 (many shorts) Carax directed.

Amazon Prime USA is releasing its latest work. ANNETTE is a very crazy musical, with 141 minutes of narrative that the viewer has to be very focused to follow. An exponent of stand up comedy, known for his extreme irreverence, verbal violence and lack of commitment to any standards, falls in love with a renowned and recognized soprano who is the darling of the specialized media. The torrid romance between the two is accompanied by audiences and tabloids with sensationalism and disbelief.

How can two people who are so different (especially in their art) fall in love so viscerally and definitively.

The work of Adam Driver (I still think he’s getting better and successfully pursuing more difficult acting challenges) and the excellent Marion Cotillard (Oscar for Best Actress by PIAF) are exceptional. The two have given themselves to the roles in such a way that when the screenplay by the brothers Ron and Russell Mael takes its turn, the viewer can’t help but complain.

Their love generates a girl, the title character ANNETTE. At first, ANNETTE is represented by an animated doll, a visual feature so crazy and unusual that it’s very annoying. Looks like the movie has lost its axis.

Gradually (and Annette becomes the girl actress Devin McDowell) we get used to it, especially when he starts to lead the narrative.

For me it’s very clear that this second part of the film is much inferior to the first one. I think Carax’s animatronic joke cost his film a lot. Swapping two great actors for an electronic doll was, in my opinion, not a good idea.

Anyway, the film’s visual fascination remains intact. Music, songs, sets, colors, costumes, filming angles bear the mark of the filmmaker’s distinctive talent. There are many scenes that leave us breathless due to the impressive beauty.

Carax will continue to be an incredibly talented filmmaker who sporadically makes cult (sometimes damned) films with his unmistakable digital imprinted on every scene.

A guy – like the ANNETTE movie – unlike anything you’ve ever seen.

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