DUNA 2021: Villeneuve Se Sai Muito Bem e Faz um Filmaço

Devo ser um dos poucos admiradores da primeira versão de DUNA, que o gênio David Lynch fez em 1984. Reconheço que a narrativa era meio confusa, mas as imagens de Lynch, como de hábito eram hipnóticas e fascinantes.

Como fã do canadense Dennis Villeneuve, ao saber que ele estaria no comando deste super refilmagem do best seller de Frank Herbert, embora eu tenha um pé atrás com refilmagens, levei fé que seria um filme instigante.

Pois o DUNA de Villeneuve me surpreendeu.

A começar pela fotografia. Eu tenho cinco ou seis filmes que estão gravados em minha retina pela fotografia. Os trabalhos dos diretores de fotografia eram extraordinários. RAN, de Kurosawa (fotografia de Asakazu Nakai, Takao Saitô e Shóji Ueda), CINZAS DO PARAÍSO (fotografia de Nestor Almendros), O IMPÉRIO DA PAIXÃO (fotografia de Yoshio Miyajima), O ÚLTIMO IMPERADOR (fotografia de Vittorio Storaro), UM AMOR DE SWANN (fotografia de Sven Nikvist) são alguns destes trabalhos incríveis de imagem.

O australiano Greig Fraser (tinha fotografado ROGUE ONE e ZERO DARK THIRTY) entrou para o patamar dos diretores de fotografia geniais. DUNE tem uma sucessão de imagens belíssimas, cenas capazes de tirar o fôlego do espectador por sua beleza única. São verdadeiras pinturas em movimento na tela do cinema. Fora de série.

Com toda esta beleza em cena, a história de Herbert até parece mais simples. A Casa da Atreides recebe do Império a missão de voltar ao árido Planeta Arrakis, onde é minerado o “spice”, uma espécie de droga que viabiliza viagens inter estelares. O planeta desértico é dominado pelos Fremen (corruptela de homens livres) que sempre se rebelaram contra o jugo de seu planeta pelos Harkonnen.

O Duque Leto Atreides (Oscar Isaacson sempre ótimo) decide cumprir a missão se aliando com os freman em vez de subjugá-los. Vai para o Planeta Arrakis com Lady Jessica Atreides (Rebecca Ferguson luminosa) e o filho Paul (o novaiorquino Timothée Chalamet, astro da moda). Com eles, Jason Momoa, Josh Brolin, os encarregados de comandar o exército. O povo local tem Stilgar (Javier Bardem) e Chani (Zendaya). O elenco ainda tem Stellan Skarsgard, Charlotte Rampling e Dave Bautista.

O roteiro de Villeneuve, John Spaihts e Eric Roth foi de uma competência gigante para ordenar a história e torná-la mais compreensível.

Acho que Villeneuve tem um talento cinematográfico raro. Consegue fazer seus filmes emocionantes, humanos, contundentes nos temas que aborda (liberdade, opressão, religiosidade, ambientalismo) e, ao mesmo tempo, dinâmicos e frenéticos.

Esta primeira parte de DUNA (sim, o filme não termina) tem 155 minutos. Para mim, passaram voando.

Acho que fiquei viciado no “spice”. DUNA deixa a gente com gostinho de quero mais.

I must be one of the few admirers of the first version of DUNE, which the genius David Lynch made in 1984. I admit that the narrative was a bit confusing, but the images of Lynch, as usual, were hypnotic and fascinating.

As a fan of Canadian Dennis Villeneuve, when I knew that he would be in charge of this super remake of Frank Herbert‘s best seller, even though I’m a bit insecure with remakes, I had faith that it would be an exciting film.

DUNE by Villeneuve surprised me.

Starting with its photography. I have five or six movies that are recorded on my retina because of their photography. The work of the cinematographers was nothing less than extraordinary. RAN from Kurosawa (photo by Asakazu Nakai, Takao Saitô and Shóji Ueda), DAYS OF HEAVEN (photo by Nestor Almendros), THE EMPIRE OF PASSION (photo by Yoshio Miyajima), THE LAST EMPEROR (photo by Vittorio Storaro), SWANN IN LOVE (photograph by Sven Nikvist) are some of these amazing image works.

Australian Greig Fraser (had photographed ROGUE ONE and ZERO DARK THIRTY) has entered the ranks of genius cinematographers. DUNE has a succession of astonishing beautiful images, scenes capable of taking the viewer’s breath away due to its unique beauty. They are real moving paintings on the movie screen. Out of the box.

With all this beauty on the scene, Herbert’s story seems even simpler. The Atreides House receives from the Empire the mission to return to the arid Planet Arrakis, where the “spice” is mined, a kind of drug that makes interstellar travels possible. The desert planet is dominated by the Fremen (corruption of free men) who have always rebelled against the yoke of their planet by the Harkonnens.

Duke Leto Atreides (Oscar Isaacson always great) decides to fulfill the mission by allying himself with the Freman instead of subduing them. He goes to Planet Arrakis with Lady Jessica Atreides (Rebecca Ferguson luminous) and son Paul (New Yorker Timothée Chalamet, a trend star). With them, Jason Momoa, Josh Brolin, both in charge of commanding the army. The local people have Stilgar (Javier Bardem) and Chani (Zendaya). The cast also features Stellan Skarsgard, Charlotte Rampling and Dave Bautista.

The screenplay by Villeneuve, John Spaihts and Eric Roth was of a giant competence to order the story and make it more understandable.

I think Villeneuve has a rare cinematic talent. He manages to make his films emotional, human, forceful in the themes he addresses (freedom, oppression, religiosity, environmentalism) and, at the same time, dynamic and frenetic.

This first part of DUNA (yes, the movie doesn’t end) is 155 minutes long. For me, they flew by.

I think I got hooked on “spice”. DUNA leaves us with a taste of wanting more.

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